1 de jan. de 2012
Ano novo, novas resoluções
Portanto não, eu não vou verbalizar meus desejos a todos os meus amigos e familiares porque sei que se eles pararem um segundinho pra pensar em mim, saberão o que sua existência significa nessa minha vida tão conturbada quanto a de qualquer um.
23 de mar. de 2011
14/03/11 noite
é com pesar que aqui escrevo
pesar de uma voz que há muito cala
silêncio! há que se fazer segredo
desse fogo que por dentro se espalha.
falo do que só conheço por sentir
um sentir tão forte que maltrata
mas falar por falar, omitir
nada disso mais me arrebata.
um cantar esquecido pelo tempo
pelos cantos de um escuro de razão
de um estado mantido já sem contento
e minha alma hoje grita, perde o chão
preciso de calor, de som e movimento
por esse amor que assola o coração.
***
quero que essas letras sejam vistas
e apreciadas por quem nada vai dizer
busco a rima e a forma ariscas
para ouvir que bem fiz o bom fazer.
quero uma vez mais correr a pena
pelo branco do papel a me escrever
em versos, frases tortas ou poemas
e o sangue ardente a escorrer
pelos olhos sobre a pele
pelo peito, quente e lento
bem de leve
e a mão, sem alento
sobre a neve
corre solta deflorando o sentimento.
***
esta noite falo de ardor
um tão leve que não reconhecerão
um que nada tem de fervor
um que vem do toque da mão
tão sutil e ainda tão ardente.
conto o que para mim não tem sabor
o que em mim até hoje foi latente
tanto que aos poucos dou a cor.
falo e engraçado pouco sei
disso que já não posso calar
pensando ser isto o que sonhei.
e numa noite fria a vagar
hei de ver o fantasma que criei
de uma brasa que o calor vai apagar.
***
se o meu canto tiver um dia valor
a qualquer um a quem sentido possa fazer
que não se busque em meu corpo essa dor
que há muito será pó este viver:
esta que vos fala nunca houve
em qualquer dimensão, qualquer verdade.
se querem uma palavra que conforte
essas acepções de realidade
esqueçam. simplesmente.
que me recuso a justificar minha voz
me nego a dar a face ao sol nascente.
assertiva em ciência se faz
não em palavra, palavra que desmente
a verdade que ao vento se esvai.
***
pois que joguem fora, arremessem
aos porcos, não dou conta
faço versos ponto. não dissertem
sobre o que qual nó cego não tem ponta.
não, deixem ir, descontentes
que não fazem eles mesmos suas rimas
querem sentido e razão, inocentes
não sabem que são as palavras feito guimbas:
bem ou mal o que fica é o sentimento
prazer ou dor cause a efêmera combustão
que importa fazer tanto acabamento?
essa mancha que se leva no pulmão
não se vê nem se cura, sofrimento
de palavras que se encontra pelo chão
10 de jan. de 2011
Dez do um de dois mil e dez
Chega um momento em que você não sabe mais por que contou, nem por que manteve tudo aquilo. Mas dizer a verdade significaria perder tudo. É nessa hora que você começa a desejar que sua história tivesse de fato acontecido e é a partir de então que você passa a trabalhar pra fazer com que ela seja verdadeira dali em diante. Não é mais fácil do que admitir ser mentira, não.
Tem uma história que eu queria que fosse mentira. Por isso, repasso todos os detalhes de que me recordo a procura de uma falha, algo que eu possa usar como argumento que me ajude a trazer tudo a baixo. Mas é tão verdadeira que sei que nem minha imaginação poderia criá-la.
Essa verdade me dói, embora eu não tenha contado mentiras sobre ela. Mas admití-la significa uma derrota sem tamanho.
É estranho porque essa palavra sempre me faz pensar que quando se perde uma corrida, sempre pode se vencer a outra. Mas a derrota continua lá. Talvez não existam derrotas mensuráveis ou maiores que outras. Existem apenas as que não são com a gente.
Não estou na fase de pensar positivo ainda. Espero que ela chegue logo, embora também espero que não, como forma de punição. Não sei o quanto podemos nos punir por algo na vida. Mas acho que a punição só existe quando ainda existe a vontade de mudar as coisas. Talvez isso seja superar: saber que algumas coisas não podem ser mudadas, por mais que se queira e se tenha a boa vontade de esperar.
21 de dez. de 2010
Treze do cinco de dois mil e dez
Que coisa. Que conversa agradável! Que clima divertido! Talvez fosse tudo resultado da segunda garrafa de vodka de já estava pela metade, embora não quisesse acreditar. Era bom pensar que se identificava com todas aquelas pessoas, que suas dores e seus questionamentos não eram só seus e que, embora parecesse sozinha, não estava. Havia mais como ela. Alguns piores, que se maquiavam demais, ou pintavam o cabelo de cores incomuns, ou mesmo faziam cortes estranhos. Tinha gente que gostava de se vestir feito punk, embora esse fosse um movimento – e um conceito – de algumas décadas atrás. Tinha quem comesse coisas vivas e quem vivesse em seu próprio lixo. E ela, tão normal, com suas blusinhas da moda, os jeans surrados, os tênis da propaganda na TV, tão excluída do mundo do qual queria fazer parte.
Perdeu a conta de quantas noites passara ali, no chão da praça, com aquelas pessoas estranhas, a maldizer uma sociedade que ninguém sabia ao certo o que era. E cada um dizia como, em seus sonhos, tudo deveria ser. Nessas noites em que todos os problemas da humanidade eram resolvidos depois de uns goles que qualquer bebida quente misturada a refrigerante, não sabia quantas promessas tinha feito para a vida, quantos planos que havia cuspido no vaso no dia seguinte pela manhã, quantos novos amigos havia feito, porque os antigos, da noite passada, aceitaram Jesus no coração, ou quem sabe ainda estão com uma agulha de glicose – ou de sabe-se lá o que – presa no braço. Mais importante, perdeu a conta de quantas noites e dias e tarde quis simplesmente fugir, e fugiu pra tão perto de casa, se afogando em um copo atrás de outro, garrafa atrás de garrafa em um oceano de mágoa que não sabia resolver.
Problemas. Na vida, tudo são problemas, menos quando eles vem na medida exata de 250ml. Um litro só quando a coisa está feia, quando nem a companhia daquelas pessoas estranhas pode ajudar, quando falar mal da faculdade, da família, da política não ajuda.
Lá estava, tão normal, com um copo vazio na mão, porque aprendera a não soltar o copo se não quisesse ser servida por aquelas pessoas estranhas, olhando aqueles sorrisos amarelos de cigarro manifestarem-se em gaitadas entre palavrões e maldizeres e tudo o que queria era estar em um lugar onde as pessoas soubessem seu nome, onde soubessem que preferia só refrigerante a vodka com limão, que tudo aquilo não passava de uma extravagância a que se permitia por não entender direito o que significava se permitir. Um lugar onde ela soubesse o nome de todos e soubesse que um deles não desapareceria no dia seguinte. Um lugar do qual nenhuma das pessoas pudesse desaparecer porque fariam uma falta tremenda. Um lugar que pudesse chamar de casa.
4 de out. de 2010
Irreal
Vai saber. Sei que corro, parada, dos pensamentos confusos que me cercam. Ontem me disseram que os pássaros que vejo, não os vejo, ou os sinto picar minha mão a procura do milho, que não estão lá, ou eu mesma não estou lá. É tudo muito confuso que o céu, ao meio dia, se abra em um verde mar indizível e ninguém perceba a não ser eu que, de tão atônita, não consiga falar nada para ninguém, apenas assustar-me, e continuar minha caminhada pelas ruas que se desfazem como areia movediça, vendo os pássaros que levantam voo como que não estando.
Pergunto-me se eu estou. Mas é melhor prestar atenção no ônibus que passa, que mesmo sendo mole como borracha, ainda pode me matar.
5 de jun. de 2010
À Espera
Esperar cansa. E é porque nunca gostei muito de ditados populares.
Mas, ao mesmo tempo, fazer é tão difícil. Demanda tanto tempo e energia. Tanta criatividade que pode ser utilizada para outra coisa mais produtiva que ainda não sei qual é. Fazer cansa mais. Principalmente quando é para os outros usarem e gastarem e jogarem fora. Fazer é muito difícil.
Por isso, vou esperar, aqui, a frente ao computador, por aquele e-mail que vai fazer toda a diferença, com as palavras certas da pessoa certa. Esperar que a noite chegue e que o dia nasça, que passem mais cinco minutos, que a cafeteira ferva o café, que o padeiro traga o pão, que o trânsito saia da imobilidade, que as pessoas entendam que eu não posso resolver todos os seus problemas. Vou esperar que aquela cerveja bem gelada leve tudo embora, toda a insatisfação de, ao final do dia, não ter atingido meus objetivos. Depois, que o efeito passe e que o sono venha para que eu possa, enfim, ser completa em um outro mundo.
18 de jan. de 2010
Máxima
15 de jan. de 2010
Fortaleza, 14/06/08
11 de jan. de 2010
18/08/08 01:05
De repente, o silêncio ganhava forma e se encontrava nas palavras. As palavras que lhe foram inimigas por tempos. De repente, assim mesmo, sem aviso, sentiu de fato o tempo parar, o mundo não mais rodar, a cabeça não ponderar ou questionar ou pensar ou esperar e sim silenciar. A boca não se movia. Só as mãos frenéticas como não há tempos criavam desenhos, antes esquecidos, num fundo branco de solidão. Porque, de repente, sentiu mesmo tudo junto. E foi como se nada sentisse. Como pudesse olhar, de outro canto, enquanto alguém vivia ela. E pode ver, tão bem como se realmente sentisse, que rasgava-se-lhe a pele.
E esperou que o sangue saísse jorrado pela força da pressão de tanto tempo ali, guardado. Esperou que explodisse a vida esparramada que não sabe ser se não confinada. Esperou que lhe doessem os nervos, que lhe queimasse por dentro tudo aquilo que entrava, saindo. Mas não doeu. Não jorrou. Não queimou. Nem sequer ardeu. Assistiu-se espirrar tímida, depois escorrer pouca, por fim pingar escassa até a última gota, mas não sentiu. E no fim pensou que a quase-nenhuma-pressão talvez não fosse da vida que pensava que tinha que, por não sentir, chegava a de fato acreditar não ter. E como não descobria, achou que não devesse pensar. E como não tinha escolha, resolveu deixar pra lá.
8 de jan. de 2010
Fortaleza, 14 de outubro de 2008.
7 de jan. de 2010
Fortaleza, 20 de julho de 2009.
Minha cabeça ainda gira no ritmo das músicas que primeiro ouvi da banda no restaurante, depois, no carro de volta para casa. Abria o vidro, deixando o vento brincar entre meus cabelos e a música soa mais baixo no carro pequeno. Você subia o vidro de volta, era perigoso andar com o vidro baixo àquela hora da noite, e me trazia de volta para o lugar de onde eu queria fugir. Sei lá por que queria fugir! Talvez porque realmente não estivesse bem com as pessoas ali presentes, talvez porque apenas quisesse um pouco de silêncio o qual poderia ser encontrado num horizonte além das torres comerciais da Aldeota. Realmente não sei onde queria estar naquele momento, sei que não era ali.
Você estava lá. Maquiada, de roupa e sapado novo, mais linda do que o usual. Porque é verdade que as pessoas ficam mais bonitas quando se arrumam. Quando você se arruma daquele jeito, chama atenção para a sua beleza que é natural como você, por educação ou não, disse ser a minha. Não duvido que realmente pense assim, mas as coisas soaram estranhas quando foram ditas depois de eu notar que eu usava uma calça já meio surrada e uma sandália de dedo, delineador e a blusinha nova, enquanto você desfilava ao meu lado de sapato de salto, uma blusa da moda e a maquiagem simples que realçava seus olhos. Você estava mesmo mais linda. Não havia como não sentir a diferença que havia entre o toc-toc que você provocava e o chic-chic que fazia minha sandália de borracha e agora confesso que eu quem deveria procurar estar a altura da sua produção, e não o contrário, como você disse no carro.
Eu amo você. Muito. Amo de uma maneira que se me tivessem perguntado há alguns meses, eu provavelmente teria rido e negado, dizendo não ser possível. E eu me sinto bem ao seu lado, mesmo quando eu pareço uma menininha, e você, uma mulher. Mas não posso negar que esse foi o primeiro problema da noite. Fora, claro, o fato de eu não conhecer a aniversariante, mas não fez tanta diferença assim, já que estávamos em um restaurante e a menina praticamente não deu conta de mim.
Engraçado, senti uma ponta de inveja porque não seria notada como você, mas quis sumir quando chegamos à festa. Vai entender as mulheres! Sei, entretanto, que você me entende.
Quanto aos seus amigos, já não faz diferença. São seus amigos e não me imporei a isso. Não espere que eu saia muitas vezes com vocês, entretanto. Uma vez por mês é tolerável, mais que isso exigiria uma boa vontade com a qual não fui abençoada. Enforco-me para respeitar você e sua vida ao máximo e a isso se acrescenta não criar desavenças com seus amigos e com sua família.
Essas palavras, se chegassem aos seus ouvidos, imagino, seriam deixadas de lado. Mas não correrei o risco de não serem e causar problemas, ou de serem e me causar desconforto. Esta é apenas uma, talvez a primeira, talvez a única carta de mim para você que você nunca receberá. E se um dia você vier a saber o que digo aqui, será olhando-me diretamente nos olhos, ou seja, provavelmente nunca.
Abraços fortes e os pensamentos mais doces e carinhosos a você, meu doce amor.